sexta-feira, 27 de julho de 2012

Dieta Psicológica


Carioca perde 21 kg com dieta psicológica; veja como funciona

 Foto: Getty Images
A transformação do corpo deve acontecer de dentro para fora

TATIANA SISTI
Odeio ir na academia, mas sou obrigada a ir; não gosto de fazer exercícios; não resisto a um belo pedaço de bolo. Essas afirmações estão constantemente na boca daquelas pessoas que insistem em dizer que não conseguem emagrecer. A justificativa para as dietas que começam na segunda-feira e terminam na terça ou os exercícios que não surtam efeitos podem ter uma explicação psicológica. Certas emoções não reconhecidas ou assumidas costumam se manifestar no corpo, adulterando sua forma e seu funcionamento saudável. No lugar de procurar dietas malucas, muitos encontram ajuda na psicologia, como foi o caso da química carioca Mariana Santos, que já perdeu 21 kg em 10 meses.

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A psicóloga Laura Cavalcanti acredita que a transformação do corpo deve acontecer de dentro para fora. "Normalmente os tratamentos acontecem voltados para a medicina, nutrição e exercícios físicos. Sempre existe muita ansiedade nesses casos, mas que raramente as pessoas associam aos tratamentos de emagrecimento", disse. Para ajudar nesse processo, ela desenvolveu o Programa EmagreSer Integral, tratamento que ajuda as pessoas a lidarem com as emoções e sensações que não foram decodificadas. "Quando as pessoas não estão com o psicológico bem, o dispositivo de fuga acaba sendo o exagero alimentar, que funciona como uma descarga. Nesse momento ela busca a comida como ponto de apoio e a comida passa a não ter mais uma função alimentar", explicou.
Segundo a psicóloga, quando os pacientes começam a entender esses sentimentos, já se sentem mais leves antes mesmo de perder um quilo. "É a prova de que muitos problemas são psicológicos. A consciência fica mais leve."
O primeiro foco do tratamento é cuidar dessas emoções, identificar e "levá-las para o seu devido lugar". Temos que dar nome aos sentimentos: raiva, saudade, amor, ódio... A gente apropria as emoções para que elas não influenciem na hora da comida”, detalhou acrescentando que a psicologia tem importante papel para construir essa responsabilidade nas pessoas. "Nós resgatamos o direito de comer com prazer e fazemos com que as pessoas entendam a necessidade da boa alimentação", disse.
Para conseguir passar dos 86 kg para os 65 kg, Mariana Santos resolveu procurar ajuda psicológica. Ela perdeu 21 quilos desde setembro do ano passado. "Eu já tinha tentado fazer várias dietas, fui no Vigilantes do Peso, mas nada adiantava e eu continuava engordando", contou. Ela admitiu que nunca tinha pensado que o lado psicológico poderia impedir esse emagrecimento. "Ninguém acha que uma coisa tem ligação com a outra, né? Mas tem tudo a ver. Você cuida da mente para depois emagrecer o corpo", destacou.
Em cinco meses de tratamento psicológico, Mariana começou a correr. "Eu comecei a ver o exercício com outros olhos e passei a não fazer por obrigação. No tratamento aprendemos que o exercício físico, por exemplo, é importante para a nossa saúde e não só para mantermos nosso corpo nos padrões de beleza que a sociedade pede", explicou.
Mariana falou que sempre foi muito dependente emocionalmente da opinião dos outros. "Se as pessoas me falavam que eu era gorda, eu ficava sempre muito triste e ansiosa. Aí percebi que a opinião delas não podia ter uma função tão grande na minha vida. Depois disso, todos os meus sentimentos estavam bem mais resolvidos e tudo foi mais fácil", disse.
Mesmo com esse acompanhamento, Mariana também fez uma dieta: "não tem milagre. Mas a gente passa a entender que é bom comer bem e ter uma vida com muito equilíbrio. Uma coisa puxa a outra", disse.
"É esquisito pensar que a mente manda em tudo. Você precisa cuidar dos problemas emocionais para ter estimulo para fazer as coisas que ajudam o lado de fora do seu corpo, no caso, emagrecer", finalizou.
O tratamento também é adequado para aqueles que sofrem de anorexia e bulimia, claro, acompanhado da medicina patológica.
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